segunda-feira, 21 de março de 2011

Monte Belo

Vamos imaginar uma situação ; você está com problemas no seu orçamento doméstico, ou seja, sobra mês no final do seu dinheiro. O que você faz primeiro; tenta ganhar mais dinheiro ou vai ver se está havendo desperdício e pode racionalizar os seus gastos?
Eu faço esta pergunta por que ela pode servir para várias situações; entre elas a discussão sobre a construção da usina hidrelétrica de Monte Belo. Se você não está bem por dentro do assunto é o seguinte; vão fazer uma usina no Rio Xingu. Vai ser uma das maiores do mundo. Deve produzir uma quantidade grande de energia. O problema é que vai causar um impacto ambiental e social enorme, inundando vastas áreas de vegetação, deslocando grande número de pequenos agricultores, afetando várias vilas e diversas aldeias indígenas. Além disso, vai comprometer o curso do rio por mais de cem quilômetros.
Está certo, nós precisamos de energia, nossa civilização é totalmente dependente de grandes quantidades de energia, principalmente elétrica. Mas diante de disso é que eu volto á pergunta inicial; não seria mais racional e mais barato começar a fazer um grande programa de racionalização de energia? Ou seja, não seria melhor nós usarmos melhor a energia que nós já temos em vez de produzir mais, continuando a desperdiçar?
O desperdício, não só de energia, mas de tudo de uma maneira geral, é uma característica da nossa sociedade. Ninguém se importa em economizar, ou melhor, em racionalizar. Racionalizar significa usar de forma correta, economizando inclusive em dinheiro, sem perder a qualidade ou o conforto.
Vários estudos chegaram à conclusão que podemos fazer de 4 a 10 vezes mais com a mesma quantidade de recursos. Ou seja, a quantidade de recursos desperdiçados é enorme. Isto quer dizer que uma quantidade imensa de dinheiro é jogada fora. Isto é verdade tanto nas empresas quanto nas residências.
As empresas podem economizar recursos e muito dinheiro através da eco eficiência, fazendo mais com menos, e alcançando a tão decantada competitividade. Nós reclamamos que importados estão tirando o mercado dos produtos nacionais, mas os nossos produtos poderiam ser muito mais competitivos se nós não desperdiçássemos tanto e fossemos mais competentes no uso da energia e das matérias primas.
Em nossas casas também. O desperdício e o potencial de economia ainda é muito grande. Economia inclusive de dinheiro que faz falta . Se nós desperdiçarmos menos sobra dim dim no fim do mês.
Tudo bem que com ações de aumento de eficiência não tem como fazer inauguração nem dar os dez por cento pro bolso de ninguém, mas nossos políticos têm que se convencer que antes de fazermos mais temos que fazer melhor.
Por tudo isso, eu e muita gente estamos contra a construção da hidrelétrica de Monte Belo. Não só por causa do baita impacto que ela vai causar, mas porque ela não é necessária.
Necessário é sabermos viver de acordo com os nossos recursos. Aproveitando o máximo o que já temos. E quando for preciso, aumentarmos de forma planejada e cuidadosa a nossa utilização dos recursos naturais. Minha avó já dizia sabendo usar não vai faltar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Estilos de Vida

Todo mundo já ouviu falar a expressão “estilo de vida” ou para os gostam de falar difícil; life style. Mas o que é isso mesmo? É a forma como cada um vive os hábitos e preferências individuais. Mas porque estamos discutindo isso aqui? Para falar de estilo de vida sustentável.

Quanto se fala nisso, geralmente a primeira imagem que vem a cabeça é de um hippie de sandálias de dedo vivendo no meio do mato. Não é bem assim. Não existe um forma única ou um estilo de vida sustentável e que só ele sirva. Não é isso. Podemos ter várias formas diferentes de se chegar ao mesmo objetivo.

É claro que existem estilos de vida totalmente incompatíveis com as exigências da sustentabilidade. A forma de vida ocidental, principalmente o estilo de vida norte americano, o American Wai of Life, de consumismo desenfreado é claramente insustentável. Se todos o mundo consumisse como os norte americanos seriam necessários 4 planetas Terras para segurar a demanda.

Mas temos várias formas diferentes de se viver que podem ser mais ou menos sustentáveis.

O importante é cada um analisar as ações e tentar reduzir os impactos. Se eu gosto de baladas e festas, vou procurar formas de festejar que causem menos impactos. Já existem as chamadas baladas ecológicas. Se eu gosto de viajar vou buscar meios de transporte menos prejudiciais como trens e ônibus. E assim por diante. Ser sustentável ou mais sustentável não significa abdicar de seus hábitos e preferências. Pelo menos não todos, só os prejudiciais. Temos que ter uma atitude crítica, questionar os nossos valores e hábitos; mas não é necessário deixar de ser você mesmo.

Outra coisa, se você for fazer mudanças em seu estilo de vida não tente mudar tudo de uma vez. Não vai conseguir e vai gerar frustração. Mude aos poucos; uma coisa de cada vez e aos poucos você terá feito grandes transformações na sua forma de ser e estar no mundo. Como disse Gandhi, seja você a transformação que quer ver no mundo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Depois da Chuva


Todo ano se repete esta trágica rotina. Todo ano tem verão; todo verão tem chuvarada, chuvarada causa enchente e desmoronamento, enchentes e desmoronamentos causam mortes e destruição. Este ano não foi diferente, foi pior. Mais de 800 mortos, fora os que nunca serão encontrados. Bilhões de reais em prejuízos; anos para reparar o que foi destruído.

Não é difícil achar os responsáveis por tamanha destruição. O mais fácil é culpar a Natureza, choveu demais. Declarações do tipo nunca antes na historia deste país choveu tanto ou não dá para solucionar problemas em um dia foram escutadas em várias partes.

Tudo isso tem sua parte de verdade. Mas tem mais por traz disto. Pode-se dizer que há dois principais culpados pelas tragédias; deste e de outros anos.

Em primeiro lugar as próprias vítimas. Pode parecer cruel culpar quem sofreu na carne a tragédia, mas na maioria dos casos estas pessoas estavam em áreas de risco. Ou seja; estavam em locais que mais cedo ou mais tarde iriam ter problemas. Mais que áreas de risco são áreas de certeza, com certeza irão ter problemas.

Mas eu acho que o principal culpado é o poder público. A maioria das pessoas ocupa estas áreas por ignorância ou por necessidade. Outras por ganância. Mas o poder público nos três níveis; federal, estadual e municipal tem a obrigação e os instrumentos legais para evitar que as pessoas ocupem estas áreas ou para retirar quem estiver ocupando indevidamente.

Ou seja; o poder público é responsável por continuar a existir gente em áreas que podem levar á morte e destruição.

Mas mais importante do que achar responsáveis é evitar que estas tragédias se repitam.

Fiquei surpreso de forma positiva com as atitudes da presidente. Não só foi rapidamente ver os estragos no próprio local como propôs ações de prevenção. E mais, começou a cobrar a responsabilidade dos prefeitos e governadores por estas ações de prevenção. Tomara que as tragédias deste ano tenham sido o suficiente para tirar as autoridades da inércia e do acomodamento que até aqui tem sido antes a regra do que a exceção.

Mas nós também temos que fazer a nossa parte. Não invadir ou ocupar as áreas de risco. Denunciar invasões. Cobrar do poder público; município, estado e governo federal, que estas áreas sejam desocupadas; Cobrar planos de prevenção; treinamentos de emergência; enfim , ações preventivas.

Tudo isso para que todo ano continue tendo verão, mas que verão não seja mais sinônimo de tragédia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sustentabilidade Empresarial. E o que eu tenho haver com isso ?



Até alguns anos atrás a única preocupação das empresas era com o lucro. Se a empresa estava dando lucro então tudo estava certo. Hoje em dia as coisas estão um pouco mais complicadas.

Claro que gerar lucros continua imprescindível; mas hoje a sociedade e o próprio mercado exigem muito mais das empresas. Além do básico, ou seja, de cumprir a legislação, as empresas são cobradas pelo desempenho ambiental e social. 

Estes dois temas estão se tornando fatores de competitividade, sendo que muitas vezes podem fazer com que um produto exportado possa ser barrado no pais de destino por alegações de problemas de ordem social ou ambiental em sua fabricação. Denuncias de trabalho infantil, ou de desleixo com o meio ambiente; tudo isso age como barreiras não alfandegárias contra a exportação. 

Grandes frigoríficos brasileiros tiveram que anunciar que não comprariam mais carne de gado criado em região de desmatamento na Amazônia, com medo de perder o mercado europeu após denuncias. Ou seja, os grandes exportadores e por conseqüência todos os seus fornecedores e sub fornecedores tem que prestar atenção sim no aspecto de sustentabilidade empresarial, sob pena de perder mercados e contratos.

Por outro lado; as empresas multinacionais cada vez mais cobram de seus fornecedores aqui no país as mesmas exigências que fazem em seus países de origem. Hoje em dia com a internet, é cada vez mais fácil saber o que acontece do outro lado do mundo e estas empresas não querem prejudicar a sua imagem por causa de coisas que acontecem em locais distantes.

Um exemplo clássico disso foi o que aconteceu com a fabricante de tênis Nike. Uma empresa subcontratada do leste asiático usava mão de obra infantil para costurar tênis á mão. Uma denuncia custou á empresas milhões de dólares em prejuízos e uma grave perda da imagem da companhia

Cada vez mais o público cobra das empresas uma postura que leve em conta os aspectos sociais e ambientais. Isto faz com que, por exemplo, os grandes supermercados estejam exigindo de seus fornecedores cláusulas de sustentabilidade para que continuem a negociar com eles. Como disse um alto executivo de uma rede de supermercados:” Nós vamos convidar nossos fornecedores a abraçar a causa da sustentabilidade. Aqueles que não puderem ou não quiserem poderão deixar de ser nossos fornecedores.”!

Pois é, por tudo isso, se você tem uma empresa, por menor que seja mais cedo ou mais tarde vai ser cobrado. Você pode perder oportunidades de novos negócios ou mesmo aquele cliente tradicional se você deixar de prestar atenção ás novas exigências.O público ou um grande comprador pode simplesmente não querer mais os seus produtos ou serviços.

Por uma questão de sobrevivência empresarial, sim você tem muito haver com este assunto.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Apresentação

Sustentabilidade é um tema atual e complexo,já que engloba uma gama muito grande de assuntos e diversas visões.A Ser Sustentável é uma consultoria  que atua na área de Sustentabilidade e Responsabilidade Sócio Ambiental e se propoêm a auxiliar empresas e pessoas a discutir e se aprofundar nestes temas.Nós e nossos colaboradores iremos levantar diversos aspectos e contamos com a participação de todos para aprofundarmos este debate já que Sustentabilidade  ainda  é um conceito em processo de amadurecimento.